Covid-19: Novo respirador artificial passa a ser desenvolvido no Brasil

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Foto: AFP

A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) anunciou nesta quarta-feira, 25, investimento para desenvolver um novo tipo de respirador para auxiliar o tratamento de pacientes com perda de capacidade respiratória. Com o avanço da epidemia causada pelo coronavírus, a demanda por equipamentos para a respiração mecânica e artificial aumentou. O equipamento a ser produzido pela Braile, empresa de equipamentos médicos, consiste na Oxigenação por Membrana Extracorpórea, ECMO em inglês, uma forma de respiração extracorporal. Ela será utilizada como suporte ao tratamento mecânico, oferecendo ao paciente um “pulmão auxiliar” no caso de a ventilação não estar surtindo efeito no tratamento do paciente.

O custo do projeto é de 2,3 milhões de reais. A Embrapii pagará metade do projeto e o restante será feito pelo Instituto Eldoraro, credenciado a empresa e para desenvolver projetos de inovação industrial.

O equipamento oxigena e remove o gás carbônico (CO2) diretamente do sangue. Há um circuito padrão, no qual o sangue das veias é removido do paciente, bombeado até um oxigenador e depois devolvido ao corpo por meio de uma artéria ou uma veia.

Embora já exista no exterior equipamentos com estas funcionalidades, a tecnologia é pioneira no Brasil e trará maior eficiência, aprimorando os procedimentos médicos a custos mais baixos. A produção será 100% nacional. A tecnologia deve ficar pronta em oito semanas e, depois disso, um lote inicial com 100 equipamentos deve ser produzido e enviado aos 21 centros capacitados na operação de respiração extracorpórea.

Além do tratamento para insuficiência respiratória aguda, uma das consequências em casos graves da Covid-19, o uso do equipamento também é indicado para adultos ou crianças em casos de transplante de coração, infarto do miocárdio e parada cardíaca.

Segundo Rafael Braile, diretor da Braile, a terapia foi amplamente usada no mundo durante o surto de H1N1, entre 2009 e 2010. “Na época, tivemos o aumento em 100 vezes de sua utilização e os resultados foram positivos. Como a Covid-19 ainda é recente, não temos dados exatos dos resultados de sua aplicação, mas nos baseamos na curva de experiência do Influenza. Também estamos observando os casos da Coreia do Sul e Japão, onde a ECMO tem sido oferecida para suporte no tratamento do Coronavírus. Nesses países, a curva de mortalidade tem sido menor e essa é justamente a tentativa, de diminuir essa curva”, afirma.